Entre o Coronavírus e o Halving: o que pode acontecer com o Bitcoin?

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março 23, 2020

Texto de Gino Matos – Criptofácil

Com o avanço do Bitcoin no início de 2020, que durou até meados de fevereiro, o otimismo tomou conta do mercado. Após afirmações como a de Changpeng Zhao, sobre o halving nem sequer ter exercido o impacto positivo do qual é capaz no valor do Bitcoin, muito se esperava do criptoativo dominante do mercado de moedas digitais.

Contudo, a crescente preocupação com a disseminação do Coronavírus fez com que o valor do Bitcoin naufragasse, acompanhando a tendência do mercado tradicional. Agora, até mesmo o papel do BTC como “porto seguro” (ou safe heaven) é colocado em cheque.

Considerando que as consequências do Coronavírus no globo derrubaram o valor do Bitcoin, tendo em vista ainda que o pico de contágio está previsto entre abril e maio, o que pode acontecer?

Analisando as variáveis

A primeira variável é a linha lógica de contágio do Coronavírus. Se as preocupações com o Coronavírus atualmente já foram suficiente para derrubar o mercado financeiro como um todo, é provável que durante o ápice de contágio – muito próximo do halving – o valor do BTC sofra ainda mais.

Contudo, este cenário recebeu um acréscimo que pode alterar o rumo das coisas:

“Primeira dose de uma possível dose da vacina contra o Coronavírus pode ser testada amanhã [dia 16 de março] nos Estados Unidos.” – Tweet do @spectatorindex

Porém, uma vez que a eficácia da vacina não é garantida, essa variável pode ficar de fora por enquanto. A questão, analisando cruamente, é a colisão de duas grandes forças: um evento que potencialmente pode valorizar o Bitcoin, sendo ele o halving; e um evento que pode derreter ainda mais o valor do BTC, sendo ele o pico de contágio do Coronavírus.

Para qual lado pende?

Observando a força avassaladora exercida pela disseminação do Coronavírus no mercado financeiro, levando ainda em consideração a apatia do mercado de criptoativos em relação à proximidade do halving, seria talvez desejável falar que a doença venceria a batalha.

Entretanto, a recente ação da Reserva do Tesouro dos Estados Unidos (FED) pode amenizar a queda por dois motivos: o primeiro é um possível reaquecimento do mercado financeiro tradicional e, se é a correlação negativa entre BTC e ativos financeiros tradicionais que estava afundando o valor do criptoativo, o retorno do mercado tradicional à alta pode favorecer o Bitcoin; o segundo é a preocupação com a desvalorização do dólar, causada pela injeção de US$ 700 bilhões de dólares no mercado, além do corte das taxas de juros feitas pelo FED, algo que pode levar as pessoas novamente ao Bitcoin.

Sobre isso, o defensor do Bitcoin Anthony Pompliano publicou em seu Twitter:

“ELES LITERALMENTE ESTÃO CORTANDO TAXAS E IMPRIMINDO DINHEIRO LOGO NO HALVING DO BITCOIN.

Inacreditável.”

Resumindo a publicação de Pompliano, isso significa que os Estados Unidos estão inflacionando a moeda utilizada mundialmente para comércio próximo ao evento que aumenta a escassez do Bitcoin.

Desta forma, é possível que a recente ação do FED seja o que o halving do Bitcoin precisava para ganhar força, impulsionando o valor do criptoativo. Se esse cenário vai se consolidar, apenas o tempo dirá, mas há uma grande possibilidade de destaque para o BTC nos próximos dois meses.